As notícias do acirramento da violência ainda não mancharam a imagem do Rio de Janeiro como uma cidade maravilhosa. Pelo menos esta era a opinião entre as dezenas de turistas que ontem aproveitaram o dia de sol e as temperaturas amenas para visitar o Parque Nacional da Tijuca e o Corcovado. Entre 11h e 11h30m, pelos menos 20 pessoas compraram bilhetes para subir de van até o Cristo Redentor no quiosque do Largo do Machado.
— Ainda bem que o sol saiu. Quando decidimos vir para o Rio, nossa maior preocupação era com o tempo. Não dá para vir para cá sem sol! — comentou a comerciante mineira Alessandra Ribeiro, de 40 anos, enquanto decidia se comprava, ou não, um pau de selfie num camelô da praça, próximo ao ponto de venda de bilhetes.
O mexicano David Rodriguez, de 49 anos, chegou na quinta-feira, da cidade Coahuila. E também estava animado com o clima ensolarado. Apesar de ter ouvido alertas sobre os perigos de assalto e balas perdidas no Rio de Janeiro, ele escolheu a cidade para passar férias com a família porque acredita que o contato com as belezas naturais, com a música e com a “dança” (no caso,o samba) compensam qualquer eventual risco.
— Não viemos com medo, mas com precaução, como se deve ter em qualquer viagem. Estamos no primeiro dia, acabamos de chegar, mas viemos com ótimas expectativas — disse Rodriguez, que é engenheiro agrônomo e vai passar, com cinco pessoas da família, nove dias na cidade.
Turistas brasileiros também não pareciam preocupados em ser vítimas de algum tipo de violência. A gaúcha Mônica Fernandes, de 26 anos, moradora de Porto Alegre, até já ouviu falar que os índices de criminalidade no Rio da Janeiro retornaram a níveis anteriores ao da implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), mas, quando viu um pacote com preço especial para o fim de semana na cidade, não pensou duas vezes.
— As pessoas falam que aqui é perigoso, mas até agora estou me sentindo mais segura ao andar na rua do que em Porto Alegre. Lá, eu já fui assaltada duas vezes só este ano, e a toda hora vejo amigos relatando nas redes sociais que foram roubados. Uma média de cinco, seis casos por semana. Acho que este é um problema de todo o país; não vou deixar o medo atrapalhar meus planos de viajar — argumentou Mônica, que chegou ao Rio na companhia do irmão e já faz planos de voltar no réveillon ou no carnaval.
Cristo e praia no roteiro
A enfermeira Elaine Cristina Malquero, de 30 anos, viajou em grupo, de carro. Foram mais de cinco horas de Itaquera, distrito da Zona Leste da cidade de São Paulo, até o bairro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Na mala, os amigos trouxeram roupas para apenas um fim de semana. Mas nem mesmo o tempo curto diminuiu a animação da turma.
— Foi uma escapada. Queremos conhecer o Pão de Açúcar e a Praia de Copacabana, além do Corcovado. Estamos adorando a cidade. — disse, sorridente, na fila para comprar ingresso para subir até o Cristo Redentor.
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Fonte: Extra