sexta-feira , 4 abril 2025
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Bossa Nova – O Fenômeno!

artigo-marlon“Nada se compara ao som, o clima ou a languidez do verão como a bossa nova. Inventada ao longo das praias do Rio de Janeiro na década de 1950, a música brasileira tornou-se um fenômeno mundial uma década mais tarde e nunca foi embora.”

Inicio o meu segundo artigo com trecho da matéria do amigo (ainda que virtual) e jornalista americano, Matt Schudel, do conceituado e  famoso ” The Washington Post” que além das linhas acima diz também que “Todo mundo sabe que o talento e a sensibilidade da música vem do Brasil”.

Enfim… para “nós”, adéptos do gênero e seus  autores, compositores, interpretes, entre suas mais variadas configurações de “grupos”, é um privilégio ler tais palavras pois nos alimenta a alma e ameniza um sentimento frustrado, quando deparamos EM como a Bossa Nova “comporta-se” dentro de sua “terra mãe”, ou é obrigada a se “comportar” !

Antes de alfinetar, como de habitual, pois eu tenho de manifestar o que quero e como eu quero, pois me foi atribuido esse direito (e mesmo que não fosse eu o faria) o (s) verdeiro (os) responsável (eis) pelo panorama atual do estilo aqui dentro do que foi seu útero, Usarei frases de artistas renomados internacionalmente para quem desconhece a importância tamanha desse estilo que abriu as portas da música brasileira para o mundo.

Vamos a isso:

Recentemente, nossa Leny Andrade nos disse assim (referindo-se às cantoras da nova geração que alimentam a consciência de “Alice no País das Maravilhas):

“Os estrangeiros veneram a Bossa Nova e, ai de você, seja cantora de bolero, de axé…você pode chegar lá dar quinhetos pulos, que se você não souber cantar Bossa Nova você vai pegar a  sua malinha e vai voltar pra casa! mesmo que você tenha a bunda perfeita, os músculos perfeitos, o braço divino, o peito fantástico…bobagem queridas, esqueçam !”

Diana Krall, Diva Canadense do “Pop Jazz” (ou como preferirem classificar) disse em entrevista que “aprendeu muito  sobre Bossa Nova ao mesmo tempo em que aprendeu sobre Charlie Parker, John Coltrane. Os primeiros discos que ouvi de Bossa Nova  foram muito importantes na minha formação, assim como a música  brasileira. Ouvi Sérgio Mendes, João Gilberto, Tom Jobim…Eu aprendi canções de Bossa Nova antes de ouvi-las, nas escola de música. É parte da linguagem. Não é possível ser um jazzista sem conhecer a Bossa Nova. É dificil explicar para alguém como você, que é do Brasil, que está familiarizado com a cadência dessa música, a influência que tem aqui (referindo-se ao seu país de origem), mas é uma música que se mundializou. Eu tenho as antologias todas, principalmente Jobim,e os songbooks, porque é importante.”

Lee Ritenour, californiano, músico, compositor e guitarrista, indicado 17 vezes ao Grammy e que trabalhou com o famoso grupo de Sergio Mendes ao lado de Dave Grusin (Brasil 77) e, também casado com um brasileira, conta que “cresceu na década de 60 ouvindo música brasileira e que sua primeia influência nos Estados Unidos foram os registros de João Gilberto com o “infame” Stan Getz e as obras de Tom Jobim. Nessa altura a Bossa Nova ja tinha atingido grande sucesso e que Jobim era seu grande ídolo porque na ocasião conhecia todas as música que  o “mestre” ja havia escrito.”

Pois bem, e  como anda a Bossa Nova no Brasil ?

Venho observando que há uma certa resistência em manter o “Brazilian Jazz” no cenário mas,  me pergunto: Como ?

Bombardeados com os lixos musicais do momento, da descarecterização do “barzinho” tipo banquinho, voz e violão ou até mesmo da presença de pequenos trios ou quartetos…onde ouvir, onde sentir a Bossa Nova, até mesmo de forma improvisada (como décadas atrás) ou até mesmo sendo apresentada em performances “genéricas” e sem nenhum vinculo profissional ? Até o “tocar” do violão brasileiro foi descarecterizado pelo “cha-kun-dun” (também  pudera, até os instrumentos de luthiers (refiro-me a fabricantes brasileiros) são  feitos na china (apesar do velho e famoso termo “cha-kun-dun” soar meio Africano). Como dito no artigo anterior, SOMOS UMA POTÊNCIA MUSICAL, uma máquina de infinitas gerações mas com um péssimo sistema operativo ! Uma máquina que conta com o mais elevado grau de excelência em seus componentes de hardware, uma nação provida da mais qualificada “mão de obra” para a manutenção daquilo que DEVERIA ser aproveitado e, não descartado ficando sob o escroto propósito de cair no esquecimento.

Agora, reflitamos:

Além de tudo o que foi dito e que ainda falta dizer fomos “agraciados” com uma estátua do Tom Jobim ridicula, posta no lugar errado, com o instrumento errado e… tudo mais de arrado, além de quererem usar nosso patrimônio, a Bossa Nova, para dar nome a um  shopping.

Transformaram a Bossa Nova num “Poltergeist” e, sendo assim, tomarei algumas lições com alguns “experts” no assunto para que na próxima abordagem eu tenha absorvido um pouco de conhecimento sobre exorcismo, pois nem o livro que lí a anos atrás me dá dicas favoráveis à prática desta técnica em favor ao nosso merecido patrimônio musical.

Finalizo com Caetano:

“A Bossa Nova É Foda !”

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Sobre Marlon Esteves

Marlon Esteves é músico, produtor musical e especialista em informática musical. | marlon@tabuleirocarioca.com.br